quinta-feira, 23 de abril de 2026

 ESPERO QUE TENHAM GOSTADO DO TEATRO. AQUI FICAM ALGUMAS FOTOS.








domingo, 12 de abril de 2026

 Vou enviar por email uma coisa que vos será útil.


quarta-feira, 4 de março de 2026

 

A escada e o muro

A condição da mulher tem sido marcada por escadas longas e muros erguidos, mas cada passo, cada olhar em direção ao céu, são um gesto de resistência.

A liberdade não chega de repente: constrói-se, degrau a degrau, até que, um dia, o muro deixa de ser barreira e começa a ser o início do voo.

Subiu a escada devagar, degrau após degrau, como tantas mulheres ao longo da História. A escada era estreita e gasta, marcada por gerações de pés cansados, e construída com séculos de proibições, de portas fechadas e de silêncios impostos. Cada degrau carregava a memória das mulheres que, antes dela, haviam tentado subir.

Durante muito tempo, haviam-lhe dito, como a tantas outras antes dela, que não precisava de subir. “A vida das mulheres é cá em baixo, entre paredes, ao abrigo do mundo.” Se insistia em olhar para o alto, vinha a advertência: “Não te compete aprender, nem decidir, nem escolher. A tua função é servir, calar e esperar.”

As mulheres que a precederam tinham tentado. Muitas ficaram pelo caminho, travadas por leis que as impediram de votar, de estudar, de possuir bens, de escolher com quem viver. Outras foram condenadas ao silêncio, acusadas de ousadia quando apenas queriam voz. Cada uma delas deixou um traço invisível na madeira da escada: uma racha, um desgaste, um nó endurecido.

Ao subir, sentia o peso dessas histórias sobre os ombros. Cada degrau era um esforço

duplo: não só por si, mas por todas aquelas que nunca tinham tido a oportunidade de avançar.

Quando finalmente chegou ao topo, observou o muro: alto, sólido, quase impenetrável. Quantas vezes lhe tinham repetido que ali terminava o caminho?

Foi então que levantou os olhos. Para lá do muro, erguia-se um céu azul aberto, e nele voavam aves douradas, livres, sem fronteiras. Um contraste cruel e belo: a liberdade tão perto, mas tantas vezes negada. E nesse momento compreendeu que a barreira não era o limite do mundo, mas apenas o limite imposto.

A saia vermelha agitava-se ao vento, como um fogo que não se apaga. Cada mulher que antes dela subira deixara uma força escondida nos degraus gastos. Não estava sozinha: carregava consigo todas as vozes caladas que haviam desejado em vão olhar mais além.

Sentiu medo, sim. Medo da queda, da solidão, da censura. Mas sentiu também a força e a esperança daquelas que a haviam precedido. Cada direito conquistado estudar, trabalhar, votar, decidir por si fora ganho à custa de suor, fracassos, resistência.

Nenhum tinha sido oferecido, mas arrancado, passo a passo, como quem sobe uma escada difícil.

E dentro de si nasceu uma certeza: o medo não podia ser mais forte do que o desejo de liberdade.

Ali, diante do muro, compreendeu: não era apenas ela a subir. Subia por todas as mulheres espoliadas dos seus direitos, tornadas invisíveis, e esquecidas nos livros de História. Subia para que as próximas não precisassem de começar de tão baixo.

E, pela primeira vez, ousou estender os braços. Não sabia ainda se conseguiria voar, mas sabia que já não voltaria para trás. Porque, no fundo, cada degrau vencido por uma mulher seria caminho aberto para todas as outras.

Ivone Roriz

Rumos – A Condição da Mulher



terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 Trânsito:

https://youtu.be/4mZH08nS5Zg?feature=shared


domingo, 15 de fevereiro de 2026

 



quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

 


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

 https://www.youtube.com/watch?v=WtHrHC1LyeM 

COMPLEMENTO OBLÍQUO

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

sábado, 27 de dezembro de 2025

 FICHAS DISLEXIA

https://edukinclusiva.pt/2021/01/23/wordwall-escreve-se-com-ch-ou-j/


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

 

Ler doce ler

Os livros são casas

com meninos dentro

e gostam de os ouvir rir,

de os ver sonhar

e de abrir de par em par

as paisagens e as imagens,

para eles, lendo, poderem sonhar.

Os livros gostam muito

de contar histórias,

mesmo que essas histórias

sejam contadas em verso

com a mesma naturalidade

com que eu escrevo,

com que eu converso.

Os livros também respiram,

e o ar que lhes enche as páginas

tem o aroma intenso das viagens

que eles nos convidam a fazer,

sempre à espera que a magia

daquilo que nos contam

possa realmente acontecer.

Os livros são novos e antigos,

mas não gostam de ter idade.

Disfarçam uma mancha, uma ruga,

e gostam de viver em liberdade

numa prateleira alta,

sobre a mesa em que se escreve,

ou nas bibliotecas da cidade.

E é por isso, porque o seu tempo

é sempre maior que o tempo,

que eles não gostam de ter idade.

Os livros gostam de adormecer

com os meninos, contarem-lhes

lendas, contos e histórias

que eles nunca hão de esquecer

e que outros livros mais novos

com eles hão de aprender.

E o que cada leitor

descobre ao lê-los

é que eles, de facto, gostavam de saber.

(…)

FICHA DE ORALIDADE 9

José Jorge Letria, in Ler Doce Ler, s.

 

Relembra-se a necessidade de além do acompanhamento nas atividades escolares, os encarregados de educação poderem desempenhar um papel fundamental no apoio ao estudo de português em casa. 

Incentivar a leitura diária é uma forma eficaz de aumentar o vocabulário e estimular a imaginação dos alunos. Recomenda-se investir em bons livros, promover a leitura em conjunto e visitar museus de ciência e arte, o que pode despertar o interesse pela língua portuguesa e pela literatura. 






terça-feira, 9 de dezembro de 2025

 https://www.facebook.com/share/v/17vQMWMemj/


sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

 

Natal Divino
Natal divino ao rés-do-chão humano,
Sem um anjo a cantar a cada ouvido.
Encolhido
À lareira,
Ao que pergunto
Respondo
Com as achas que vou pondo
Na fogueira.

Miguel Torga

Falavam-me de Amor
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
.
Menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Natália Correia

voto de Natal
Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos.  David Mourão-Ferreira,

Natal cada Natal
Quando na mais sublime dor,
A mulher dá à luz,
Há sempre um Anjo Anunciador
A murmurar-lhe ao coração — Jesus!
.
Cada criança é o Céu que vem
Pra nos remir do pecado
E as palhas d’oiro de Belém
Espalham-se no berço, como um Sol espelhado
.
Por sobre o lar presepial , o brilho
Da estrela abre o convite dos portais:
— Vinde adorar a floração do filho
No alvoroço da raiz dos pais.
– António Manuel Couto Viana

 

Natal… Natais…
Tu, grande Ser,
Voltas pequeno ao mundo.
Não deixas nunca de nascer!
Com braços, pernas, mãos, olhos, semblante,
Voz de menino.
Humano o corpo e o coração divino.

Cabral do Nascimento

 

Em cada estrela sempre pomos a esperança
De que ela seja a mensageira,
E a sua chama azul encha de luz a terra inteira.
Em cada vela acesa, em cada casa, pressentimos
Como um anúncio de alvorada;
E ein cada árvore da estrada
Um ramo de oliveira;
E em cada gruta o abrigo da criança omnipotente;

 

Cabral do Nascimento

 

 

Versos de Natal
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Manuel Bandeira

 

Canto de Natal
O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.

Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.

Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.

Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.
– Manuel Bandeira,

Noite estrelada, magia no ar,
Natal chegou, é hora de celebrar.
Com sorrisos e abraços a compartilhar,
Que a felicidade venha sem parar.  

Neste Natal, que a luz do amor
Ilumine cada canto, cada coração.
Que a paz reine, sem dor nem rancor,
E a esperança floresça em união. 

 

Neste Natal, o presente mais valioso,
É estar junto daqueles que são preciosos.
Com carinho e afeto, de coração a coração,
Feliz Natal, cheio de gratidão. 

 

 

Chega o Natal, momento de paz,
onde o amor sempre se refaz.
Com esperança em cada lar,
um novo tempo vai começar. 

O Natal chegou com encanto e luz,
trazendo esperança que nos conduz.
Que a alegria e o amor encham seu lar,
e a paz do Natal venha sempre brilhar.

Na árvore, as luzes cintilam tão belas,
Neste Natal, que seus sonhos sejam estrelas.
Com carinho e afeto, abraços e canções,
Que a alegria inunde em todas as direções.

Noite de paz, Jesus nasceu,
a esperança do mundo Ele nos deu.
No Natal lembramos com emoção,
o amor de Cristo em cada coração. 

O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.

Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.

Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.

Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.

Manuel Bandeira 

 

 

Chove. É Dia de Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Fernando Pessoa,

Luísa Ducla Soares

sábado, 22 de novembro de 2025

 


 













terça-feira, 11 de novembro de 2025

 Amigo de mesa não é de firmeza.

Não me dês nada, mas mostra-me agrado.

Amigo fiel e prudente é melhor do que parente.

 Amigo velho vale mais que dinheiro.

 Bom amigo é melhor do que parente ou primo.

Amigo diligente é melhor que parente.

Amigo verdadeiro, vale mais do que o dinheiro.

A casa do teu amigo não vás sem ser requerido.

Amigos de longe, contas de perto.

As boas contas fazem os bons amigos.

 Amigos velhos, contas novas.

Amigos, amigos, contratos à parte.

Bom amigo: bom conselho.

 Conselho de amigo: aviso do céu.

Quem me avisa meu amigo é.

Quem do amigo despreza o aviso, é ingrato e falta de siso.

 Arrenego do meu amigo que me encobre o perigo.

Ao amigo não encubras o teu segredo, para que não venhas a perdê-lo.

 Defeitos do meu amigo lamento-os, mas não os maldigo.

Quem não te ama, na praça te difama.

Nunca queiras do teu amigo mais do que ele quer contigo.

Do amigo não esperes aquilo que tu puderes.

Amigo não empata amigo.

Amigos e caminhos, se não se frequentam, ganham espinhos.

Aonde te querem muito, não vás muito a miúdo.