ESPERO QUE TENHAM GOSTADO DO TEATRO. AQUI FICAM ALGUMAS FOTOS.
LER DOCE PRAZER
“O caminho do leitor é comparável ao percurso de um rio que, da nascente à foz, se vai alimentando de vários afluentes, conquistando gradualmente a sua “voz“. José António Gomes (1996) Este espaço foi criado com o objetivo de ajudar a percorrer os caminhos que levam à descoberta do prazer de ler. Procuro, também, ir ao encontro do Plano Nacional de Leitura, que diz que «Um bom leitor é quase sempre um bom aluno», dando a conhecer algumas das atividades que se vão realizando.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
domingo, 12 de abril de 2026
quarta-feira, 4 de março de 2026
A escada e o muro
A
condição da mulher tem sido marcada por escadas longas e muros erguidos, mas
cada passo, cada olhar em direção ao céu, são um gesto de resistência.
A
liberdade não chega de repente: constrói-se, degrau a degrau, até que, um dia,
o muro deixa de ser barreira e começa a ser o início do voo.
Subiu
a escada devagar, degrau após degrau, como tantas mulheres ao longo da História.
A escada era estreita e gasta, marcada por gerações de pés cansados, e construída
com séculos de proibições, de portas fechadas e de silêncios impostos. Cada degrau
carregava a memória das mulheres que, antes dela, haviam tentado subir.
Durante
muito tempo, haviam-lhe dito, como a tantas outras antes dela, que não precisava
de subir. “A vida das mulheres é cá em baixo, entre paredes, ao abrigo do mundo.”
Se insistia em olhar para o alto, vinha a advertência: “Não te compete
aprender, nem decidir, nem escolher. A tua função é servir, calar e esperar.”
As
mulheres que a precederam tinham tentado. Muitas ficaram pelo caminho, travadas
por leis que as impediram de votar, de estudar, de possuir bens, de escolher
com quem viver. Outras foram condenadas ao silêncio, acusadas de ousadia quando
apenas queriam voz. Cada uma delas deixou um traço invisível na madeira da
escada: uma racha, um desgaste, um nó endurecido.
Ao
subir, sentia o peso dessas histórias sobre os ombros. Cada degrau era um
esforço
duplo:
não só por si, mas por todas aquelas que nunca tinham tido a oportunidade de avançar.
Quando
finalmente chegou ao topo, observou o muro: alto, sólido, quase impenetrável.
Quantas vezes lhe tinham repetido que ali terminava o caminho?
Foi
então que levantou os olhos. Para lá do muro, erguia-se um céu azul aberto, e nele
voavam aves douradas, livres, sem fronteiras. Um contraste cruel e belo: a
liberdade tão perto, mas tantas vezes negada. E nesse momento compreendeu que a
barreira não era o limite do mundo, mas apenas o limite imposto.
A
saia vermelha agitava-se ao vento, como um fogo que não se apaga. Cada mulher que
antes dela subira deixara uma força escondida nos degraus gastos. Não estava sozinha:
carregava consigo todas as vozes caladas que haviam desejado em vão olhar mais
além.
Sentiu
medo, sim. Medo da queda, da solidão, da censura. Mas sentiu também a força e a
esperança daquelas que a haviam precedido. Cada direito conquistado estudar,
trabalhar, votar, decidir por si fora ganho à custa de suor, fracassos,
resistência.
Nenhum
tinha sido oferecido, mas arrancado, passo a passo, como quem sobe uma escada
difícil.
E
dentro de si nasceu uma certeza: o medo não podia ser mais forte do que o
desejo de liberdade.
Ali,
diante do muro, compreendeu: não era apenas ela a subir. Subia por todas as mulheres
espoliadas dos seus direitos, tornadas invisíveis, e esquecidas nos livros de História.
Subia para que as próximas não precisassem de começar de tão baixo.
E, pela primeira vez, ousou estender os braços. Não sabia ainda se conseguiria voar, mas sabia que já não voltaria para trás. Porque, no fundo, cada degrau vencido por uma mulher seria caminho aberto para todas as outras.
Ivone
Roriz
Rumos
– A Condição da Mulher
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
domingo, 15 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
domingo, 4 de janeiro de 2026
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
Ler doce ler
Os livros são casas
com meninos dentro
e gostam de os ouvir rir,
de os ver sonhar
e de abrir de par em par
as paisagens e as imagens,
para eles, lendo, poderem
sonhar.
Os livros gostam muito
de contar histórias,
mesmo que essas histórias
sejam contadas em verso
com a mesma naturalidade
com que eu escrevo,
com que eu converso.
Os livros também respiram,
e o ar que lhes enche as
páginas
tem o aroma intenso das
viagens
que eles nos convidam a fazer,
sempre à espera que a magia
daquilo que nos contam
possa realmente acontecer.
Os livros são novos e antigos,
mas não gostam de ter idade.
Disfarçam uma mancha, uma
ruga,
e gostam de viver em liberdade
numa prateleira alta,
sobre a mesa em que se
escreve,
ou nas bibliotecas da cidade.
E é por isso, porque o seu
tempo
é sempre maior que o tempo,
que eles não gostam de ter
idade.
Os livros gostam de adormecer
com os meninos, contarem-lhes
lendas, contos e histórias
que eles nunca hão de esquecer
e que outros livros mais novos
com eles hão de aprender.
E o que cada leitor
descobre ao lê-los
é que eles, de facto, gostavam
de saber.
(…)
FICHA DE
ORALIDADE 9
Relembra-se a necessidade de além do acompanhamento nas atividades escolares, os encarregados de educação poderem desempenhar um papel fundamental no apoio ao estudo de português em casa.
Incentivar a leitura diária é uma
forma eficaz de aumentar o vocabulário e estimular a imaginação dos alunos. Recomenda-se investir em bons livros, promover a leitura em
conjunto e visitar museus de ciência e arte, o que pode despertar o interesse
pela língua portuguesa e pela literatura.
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
Natal Divino
Natal divino ao rés-do-chão humano,
Sem um anjo a cantar a cada ouvido.
Encolhido
À lareira,
Ao que pergunto
Respondo
Com as achas que vou pondo
Na fogueira.
Miguel Torga
Falavam-me de Amor
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
.
Menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Natália Correia
voto de Natal
Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as mãos dos meus
filhos. David Mourão-Ferreira,
Natal cada Natal
Quando na mais sublime dor,
A mulher dá à luz,
Há sempre um Anjo Anunciador
A murmurar-lhe ao coração — Jesus!
.
Cada criança é o Céu que vem
Pra nos remir do pecado
E as palhas d’oiro de Belém
Espalham-se no berço, como um Sol espelhado
.
Por sobre o lar presepial , o brilho
Da estrela abre o convite dos portais:
— Vinde adorar a floração do filho
No alvoroço da raiz dos pais.
– António Manuel Couto Viana
Natal… Natais…
Tu, grande Ser,
Voltas pequeno ao mundo.
Não deixas nunca de nascer!
Com braços, pernas, mãos, olhos, semblante,
Voz de menino.
Humano o corpo e o coração divino.
Cabral do Nascimento
Em cada estrela sempre pomos a
esperança
De que ela seja a mensageira,
E a sua chama azul encha de luz a terra inteira.
Em cada vela acesa, em cada casa, pressentimos
Como um anúncio de alvorada;
E ein cada árvore da estrada
Um ramo de oliveira;
E em cada gruta o abrigo da criança omnipotente;
Cabral do Nascimento
Versos de Natal
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Manuel Bandeira
Canto de Natal
O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.
Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.
Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.
– Manuel Bandeira,
Noite estrelada, magia no ar,
Natal chegou, é hora de celebrar.
Com sorrisos e abraços a compartilhar,
Que a felicidade venha sem parar.
Neste Natal, que a luz do amor
Ilumine cada canto, cada coração.
Que a paz reine, sem dor nem rancor,
E a esperança floresça em união.
Neste Natal, o presente mais valioso,
É estar junto daqueles que são preciosos.
Com carinho e afeto, de coração a coração,
Feliz Natal, cheio de gratidão.
Chega o Natal, momento de paz,
onde o amor sempre se refaz.
Com esperança em cada lar,
um novo tempo vai começar.
O Natal chegou com encanto e luz,
trazendo esperança que nos conduz.
Que a alegria e o amor encham seu lar,
e a paz do Natal venha sempre brilhar.
Na árvore, as luzes cintilam tão belas,
Neste Natal, que seus sonhos sejam estrelas.
Com carinho e afeto, abraços e canções,
Que a alegria inunde em todas as direções.
Noite de paz, Jesus nasceu,
a esperança do mundo Ele nos deu.
No Natal lembramos com emoção,
o amor de Cristo em cada coração.
O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.
Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.
Seu nome é Jesus.
Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.
Manuel Bandeira
Chove. É Dia
de Natal
Chove. É dia
de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Fernando Pessoa,
Luísa Ducla Soares
terça-feira, 25 de novembro de 2025
Links para Cidadania
https://ensina.rtp.pt/artigo/o-que-e-saude-mental/ 1.60
https://ensina.rtp.pt/artigo/quanto-acucar-consomes-por-dia/ 2.30
https://ensina.rtp.pt/artigo/o-que-e-a-diabetes/ 1.41
https://ensina.rtp.pt/artigo/vinte-cigarros-por-dia-provocam-150-mutacoes-no-adn-por-ano/ 2.27
https://ensina.rtp.pt/artigo/descomplicar-comida-de-plastico-ou-alimentacao-saudavel/ 23.00
https://ensina.rtp.pt/artigo/higiene-e-problemas-sociais-a-toxicodependencia/ 2.16
https://ensina.rtp.pt/artigo/toxicodependencia-viver-so-por-hoje/ 28m
https://ensina.rtp.pt/artigo/higiene-pessoal-e-social/ 1.56
https://ensina.rtp.pt/artigo/ser-gentil-faz-bem-a-saude/ 1.44
https://ensina.rtp.pt/artigo/estilo-de-vida-saudavel-os-passos-fundamentais/ 2.26
https://ensina.rtp.pt/artigo/ecoponto-as-regras-da-separacao/
2.4
https://ensina.rtp.pt/artigo/a-nova-vida-das-embalagens/ 1.58
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
sábado, 22 de novembro de 2025
terça-feira, 18 de novembro de 2025
terça-feira, 11 de novembro de 2025
Amigo de mesa não é de firmeza.
Não me dês nada, mas mostra-me agrado.
Amigo fiel e prudente é melhor do que parente.
Amigo velho vale mais que dinheiro.
Bom amigo é melhor do que parente ou primo.
Amigo diligente é melhor que parente.
Amigo verdadeiro, vale mais do que o dinheiro.
A casa do teu amigo não vás sem ser requerido.
Amigos de longe, contas de perto.
As boas contas fazem os bons amigos.
Amigos velhos, contas novas.
Amigos, amigos, contratos à parte.
Bom amigo: bom conselho.
Conselho de amigo: aviso do céu.
Quem me avisa meu amigo é.
Quem do amigo despreza o aviso, é ingrato e falta de siso.
Arrenego do meu amigo que me encobre o perigo.
Ao amigo não encubras o teu segredo, para que não venhas a perdê-lo.
Defeitos do meu amigo lamento-os, mas não os maldigo.
Quem não te ama, na praça te difama.
Nunca queiras do teu amigo mais do que ele quer contigo.
Do amigo não esperes aquilo que tu puderes.
Amigo não empata amigo.
Amigos e caminhos, se não se frequentam, ganham espinhos.
Aonde te querem muito, não vás muito a miúdo.