segunda-feira, 7 de maio de 2012


Eu queria uns sapatos
Com asas nos saltos.
Batia com eles no chão
Trás, trás...
Eu subia ao céu
Por cima das nuvens
Por cima das serras
Por cima do mar...
Não para lá ficar
Mas para pedir ao céu,
Que tem tantas,
A estrela mais linda
Para dar à minha mãe!
(Campos Oliveira)
Para sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
 

Carlos Drummond de Andrade

Amor sem tréguas

É necessário amar,
qualquer coisa, ou alguém;
o que interessa é gostar
não importa de quem.

Não importa de quem,
nem importa de quê;
o que interessa é amar
mesmo o que não de vê.

Pode ser uma mulher,
uma pedra, uma flor,
uma coisa qualquer,
seja lá do que for.

Pode até nem ser nada
que em ser se concretize,
coisa apenas pensada,
qua a sonhar se precise.

Amar por claridade,
sem dever a cumprir;
uma oportunidade
para olhar e sorrir.

A Mãe

Quem trabalha noite fora

Quando toda a casa dorme?

Quais os braços carinhosos

Que embalam devagarinho

O seu menino que chora?

Quem dá cor e alegria

ao nosso lar, cada dia,

Fazendo quanto é preciso,

Pondo com jeito e amor

Em cada jarra uma flor,

Em cada canto um sorriso?

Quem cumpre a tarefa rude

Sem deixar ninguém saber?

E quanto mais for penosa

Mais fará por a esconder?

E quem sabe descobrir

As lágrimas quase a vir

Aos olhos de quem padece?

E quem partilhando o pão

Põe um naco em cada mão

E só da sua se esquece?              

Maria Teresa Andrade Santos

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